O estudo do processo perceptivo é antigo. Segundo Aguiar, MAF (1992) “os estudos da percepção levantaram a hipótese de que os objetos emitiriam cópias deles próprios, as quais se transmitiriam ao cérebro. Os estudos da Física vieram contribuir para o abandono dessa hipótese ao mostrar que os objetos não emitem cópias. Na realidade, a maioria dos objetos limita-se a refletir ondas que os atingem”.Assim, o processo perceptivo passa a ser analisado de modo objetivo, trazendo ao ser humano a perspectiva de ser ele o único percebedor no mundo em que vive. Somos dotados de órgãos dos sentidos, que nos permitem ver, tocar, cheirar, ouvir, degustar, e assim interagimos com o mundo, percebendo as formas, os jeitos, as tonalidades e suas distinções. A cada ser humano, entretanto, é possível perceber de modo distinto um mesmo objeto, e isto nos traz a questão a ser tratada neste artigo: Como se dá o processo perceptivo?
Somos dotados de órgãos dos sentidos, que nos permitem ver, tocar, cheirar, ouvir, degustar, e assim interagimos com o mundo, percebendo as formas, os jeitos, as tonalidades e suas distinções. A cada ser humano, entretanto, é possível perceber de modo distinto um mesmo objeto, e isto nos traz a questão a ser tratada neste artigo: Como se dá o processo perceptivo?
Trataremos desta pergunta nos Capítulos seguintes, onde buscaremos contribuir para a reflexão do processo perceptivo na vida organizacional.
A percepção, segundo Robbins, SP (2002) pode ser definida como o processo pelo qual os indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais, com a finalidade de dar sentido ao seu ambiente.
COMPREENSÃO DO PROCESSO PERCEPTIVO
A compreensão do processo perceptivo pode ser iniciada pela análise neurofisiológica do ser humano.
Ao observar um objeto, o ser humano consegue percebê-lo visualmente, pois o objeto percebido reflete ondas de luz que atingem a retina desencadeando estimulações dos nervos visuais, e provocando impulsos nervosos.
Estes impulsos são transmitidos ao cérebro, que os codificam gerando distintos padrões de energia.
Para cada indivíduo, teremos distintas retinas, portanto com distintos padrões de energia que produzem distintas percepções do mesmo objeto percebido.
Assim, ao olhar para uma cadeira, esta reflete luzes, que em ondas, atingem a retina e vão ao cérebro, codificando a cadeira.
Se perguntarmos a vários indivíduos sobre o objeto percebido (cadeira), teremos diferentes tipos de respostas. A cadeira, entretanto, continua a mesma, o que muda é a percepção individual. O mesmo ocorre com a percepção auditiva. Ao ouvirmos uma frase, esta é transmitida em ondas sonoras ao nosso sistema auditivo e transformada em impulsos nervosos, sendo então emitidos ao cérebro.
Isto ocorre também com os outros animais, considerando a especificidade de seus sistemas nervosos.
Então, o que diferencia o processo perceptivo dos seres humanos dos outros animais?
Somente o ser humano faz a pergunta: “Quem sou?”.
Desde seu nascimento esta pergunta instiga o ser humano a olhar para si mesmo na busca de uma resposta. Esta resposta, entretanto, começa a se delinear no contato com o mundo (outros seres, objetos, símbolos,...).
Ele busca no mundo referências que lhe darão as primeiras noções de quem é.
Assim, um recém-nascido esquimó somente terá referência de quem é no contexto em que vive e com quem vive.
Isto nos traz a importância do espaço em nosso processo de percepção. Outro fator importante é o tempo. O ser humano se reconhece em uma época específica. Desta forma, acolhe o contexto onde está inserido nas dimensões espacial e temporal.
O bebê esquimó somente tem a possibilidade de se reconhecer como esquimó naquele contexto, ou seja, de acordo com o espaço e tempo em que está inserido.
Então vejamos, se isto se dá assim, dois bebês esquimós que nasceram no mesmo contexto terão as mesmas percepções?
Para responder esta pergunta, sugiro uma nova reflexão.
Ao tentar responder a primeira pergunta (“quem sou?”) o ser humano, primeiramente, encontra a resposta para outra questão: “O que sou?”.
Perceber que é um esquimó, por exemplo, não o diferencia dos outros esquimós. Responde “apenas” o que é: Um esquimó. O que o diferencia não é ser um esquimó dentre outros, mas sim quem é, como um esquimó.
A pergunta quem sou, no entanto, nunca é respondida, pois o ser humano não é um ente parado no tempo presente. Ele se projeta para o passado e para o futuro, revivendo momentos, lembrando situações, e desejando, sonhando e fantasiando o que ainda lhe falta.
Assim, por ser dinâmico, vai acolhendo de modos distintos o que se apresenta no mundo, interagindo com outros seres humanos e atuando nos objetos e animais.
O ser humano tem a capacidade de perceber sua própria existência, percebendo-se nas relações com os demais entes no mundo. Deste modo, ele coexiste, ou seja, existe dinamicamente com outros seres.
No meio organizacional, os seres humanos ocupam cargos que lhes dão uma posição e responsabilidades dentro do núcleo das atividades produtivas. Vejamos o exemplo seguinte:
- Na sua empresa, quem você é?
- Eu sou Mecânico de manutenção.
Assim, quando perguntamos quem é, estamos esperando uma resposta ligada ao seu desempenhar.
Mecânico de Manutenção, entretanto, não o diferencia dos demais Mecânicos de Manutenção, apenas o enquadra dentro de uma categoria funcional. E, deste modo simplificador, o percebemos nas possibilidades de interação dentro do contexto institucional. Isto possibilita, também, que este empregado Mecânico se perceba dentro desta categoria, recebendo e atribuindo referências àquilo que faz, fala, escuta, como um Mecânico de Manutenção.
(fonte: http://www.novosolhos.com.br/ )
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